[Crítica] – Caça-Fantasmas

Quem nunca saiu dançando ao ouvir os primeiros acordes do tema de Caça-Fantasmas, composto por Ray Parker Jr. para o primeiro filme da saga em 1984? Filmes estrelados por Bill Murray, Ernie Hudson, Harold Ramis e Dan Aykroyd; protagonistas que enfrentavam fantasmas, assombrações e derivados em Nova York. Uma miscelânea de comédia, sci-fi e aventura que marcou gerações – e, quase 30 anos depois, somos presenteados com um reboot fantástico, pronto para marcar uma nova.

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Dirigido por Paul Feig (A Espiã que Sabia de Menos, As Bem-Armadas, Missão Madrinha de Casamento), o quarteto agora é protagonizado por mulheres, duas das quais já fizeram sucesso com o diretor anteriormente. A mudança de gênero dos protagonistas da saga gerou muitas discussões e críticas fervorosas quando foi anunciada, mas tudo isso pode ser deixado para trás, porque o filme ficou uma beleza. A essência dos Ghostbusters está alí – seja com a cena inicial de um lugar mal assombrado, as cientistas sendo expulsas da universidade e tendo que se virar com o pouco dinheiro que tem, o ectoplasma nojento ou o carro estilo fúnebre correndo por aí com uma buzina característica – e o resto é atualizado de uma ótima maneira para os dias atuais.

A história inicia com a personagem Erin Gilbert (Kristen Wiig), que está perto de receber uma promoção na universidade na qual trabalha. No entanto, um livro sobre fantasmas que ela escreveu no passado com sua colega Abby Yates (Melissa McCarthy) é descoberto por seus colegas acadêmicos, e coloca em dúvida se Erin deve ou não continuar na universidade. Diferente de Erin, Abby continuou estudando os assuntos fantasmagóricos no meio acadêmico em outra universidade de Nova York, e encontrou uma colega profissional e amiga (Kate McKinnon, como Holtzmann) tão fascinada pelo assunto quanto ela. Para fechar o quarteto, temos Leslie Jones no papel de Patty Tolan, a carismática personagem que personifica a audiência na trama. A escolha do elenco não poderia ser melhor – a dinâmica e a sintonia das quatro protagonistas é impressionante, e arrancam muitas risadas! E, depois de tanta polêmica pela escolha do elenco feminino, o roteiro muito bem escrito é recheado de alfinetadas em formato cômico sobre o preconceito que mulheres sofrem na sociedade, assim como as próprias atrizes sofreram pela ousadia de interpretar as personagens. O Feminismo está muito presente na trama, e vale lembrar que o título “Ghostbusters/Caça-Fantasmas” não tem gênero.

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Na saga original, tínhamos apenas duas personagens femininas de peso: Dana (Sigourney Weaver) e a secretária Janine (Annie Potts). E, se tratando de secretárias, nada mais justo que essa personagem seja interpretada por um homem nessa adaptação. Chris Hemsworth (o Thor) é Kevin, dono dos momentos mais hilários. Continuando as alfinetadas na questão de gênero, Kevin parece estar personificando o conceito hollywoodiano da “secretária loira burra”, o que deixa sua marca, e não deixa de fluir organicamente no roteiro.

Não podemos deixar de mencionar que os fãs antigos vão adorar todos os easter eggs do filme (que são vários!), além da arte realizada nos créditos finais, que foge do tradicional “fundo preto com letras subindo” recheado de cenas e imagens que funcionam muito bem com a tecnologia do 3D. O filme conseguiu agradar em todas as vertentes, principalmente quando explora a questão da amizade, conexão e amor entre as personagens. As cenas pós-créditos deixam no ar a possibilidade de uma continuação, o que torcemos muito para acontecer! Recomendamos muito o filme e damos 5 cookies pela produção!

Caça-Fantasmas estreia hoje em todo território brasileiro! Confiram o trailer, que positivamente não é 100% spoilers e não estraga o gostinho do filme, como infelizmente tem ocorrido em muitos outros.