[Crítica] – Esquadrão Suicida

Ao som dos acordes de House of the Rising Sun, cores psicodélicas como roxo, pink e verde neon dão início a um dos filmes mais esperados do ano. A escolha da música de abertura foi bem pensada, pois é da década de 60, na qual estourou não somente o Rock, mas também a Arte POP (predominância das cores fortes e brilhantes, traços estilo quadrinhos e muita satirizarão). A música fala sobre uma vida muito mal sucedida em Nova Orleans que combina com a trajetória de vida dos nossos anti-heróis. Nessa hora você pensa: “Meu Deus, esse filme vai ser fantástico!!”. Infelizmente, veremos que não é bem assim.

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A trama de Esquadrão Suicida inicia apresentando os personagens principais: Pistoleiro, Arlequina, Capitão Bumerange, Crocodilo e El Diablo. Eles estão em uma prisão secreta, e os flashbacks empolgantes com uma trilha sonora fenomenal nos conta como eles chegaram lá. Com a morte do Superman no filme anterior da DC, surge a questão que norteia a história: quem protegerá a humanidade caso outro ser poderoso apareça querendo dominar o mundo (porque, claro, eles sempre querem dominar o mundo)? Amanda Waller tem um projeto chamado Task Force X, na qual ela quer juntar todos esses criminosos para lutar por seu país em troca de redução de suas penas. Sua influência no Congresso e na Casa Branca fazem o projeto ser aprovado. Ela junta os personagens já mencionados com June Moone (a qual foi possuída pelo espírito de uma antiga feiticeira denominada em português como Magia) sob a supervisão de Rick Flag (namorado de Moone) e Katana. Quando Magia foge do controle de Waller e tenta dominar o mundo (porque né), o esquadrão entra em ação.

Como pode-se perceber nesse pequeno resumo da trama, tem muito personagem para ser explorado (inclusive aqueles que só aparecem pra morrer), e o roteiro não dá conta. Todos esses criminosos super malvados e até insanos só possuem essas características no marketing do filme, pois – após seus flashbacks – eles fazem o bem e trabalham bem em equipe (sob o pretexto de uma mini bomba explodir suas cabeças). O objetivo do filme era mostrar que anti-heróis podem se tornar heróis, mas essa mensagem se perde se os vilões nunca realmente são mostrados como vilões. De vez em quando aparece uma cena em que eles discutem e falam sobre assumirem seu passado nebuloso, o que não flui e destoa no andamento da trama.

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Como era esperado, a Arlequina chama bastante a atenção. Ela é divertida e engraçada. Margot Robbie parecia à vontade com a personagem, desenvolvendo um jeito característico de falar e agir diante de situações desconfortáveis e perigosas. Mas fica faltando uma essência além das tiradinhas engraçadas. Fica faltando insanidade. E como não podemos falar da Arlequina sem falar do Coringa, já digo que aí faltou a mesma coisa. O Coringa de Jared Leto de fato é um criminoso manipulador, mas sua loucura fica completamente contida. Além disso, a relação dos dois ficou muito estranha. Nos quadrinhos, sabemos que essa é uma relação abusiva, onde o Coringa usa Arlequina como seu animal de estimação preferido. No filme, o palhaço demonstra realmente amar sua ex-psiquiatra, fazendo de tudo para tê-la de volta. Até então tudo bem, a adaptação tem o direito de levar os personagens para o caminho que desejar. No entanto, há cenas em que ele a deixa para morrer e que a chama como se fosse um cachorro. Aí está o problema. Ao não abraçar a relação abusiva ou amorosa, a coisa ficou simplesmente ruim (e até problemática socialmente).

Mesmo com todos esses problemas (e outros menores), o maior aparece na parte final do filme. Todo o clímax da trama depende desse time estar junto de uma maneira em que foi desenvolvido um sentimento profundo de amizade – podendo dizer até que são uma família. Só que eles se conheceram algumas horas atrás, e essa conexão que faz personagens desistirem de seus desejos mais profundos para ficarem ao lado de seus amigos não faz sentido. O grande problema dos filmes da DC parece ser que eles sabem a mensagem que querem passar, mas não conseguem desenvolver isso na história. Também há o fato que a grande vilã da vez é a Magia. É possível dizer que ela só conseguiu fugir da iniciativa de Waller porque a inciativa de Waller foi criada. Esse é uma tema legal de explorar, mas não agora, não com esse filme. Essa é a hora de apresentar Esquadrão Suicida e o que eles podem fazer. Mas a inconsistência do roteiro deixa isso caótico.

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Esquadrão Suicida é um filme divertido? Sim. Vale a pena ver no cinema? Sim. No entanto, é preciso ir preparado para assistir algo ok, e não o melhor filme do ano. Os efeitos especiais estão muito bem feitos, há partes engraçadas, o elenco feminino está realmente poderoso e ver o Will Smith de volta num filme grande de ação é legal. Mas, se você quer ver uma trama de anti-herói e insanidades, vá assistir Deadpool.

Damos 3 cookies pela produção. Após os créditos finais há uma cena extra. Mas ela também ficou estranha.
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