[Crítica] Paixão Obsessiva

Uma das grandes lições de vida é aquela coisa de não julgar um livro pela sua capa. Na área cinematográfica, podemos dizer que não devemos julgar um filme antes de assistí-lo. Por essa razão, quando lhe é apresentado um longa com um título clichê e um trailer que não ajuda a dissipar essa visão, você mesmo assim tenta manter uma cabeça aberta ao sentar na poltrona do cinema. Quem sabe o filme tem uma virada inesperada e uma nova perspectiva. Quem sabe o elenco consiga fazer algo positivo a partir de um roteiro ruim. Essas são possibilidades viáveis, mas definitivamente não presentes em Paixão Obsessiva.

A história do filme foca em Julia Banks (Rosario Dawson), a qual se mudou para uma pequena cidade para ficar ao lado de seu futuro marido, David Connover (Geoff Stults). David tem uma filha com sua ex-esposa, Tessa Connover (Katherine Heigl), e é nessa teia de relacionamentos que a tensão é construída. Tessa ainda ama David e acha que há chances dos dois voltarem, mas quando vê que seu ex-marido está feliz com Julia e que sua filha também está se acostumando e gostando dela, Tessa fica desestabilizada. Ela descobre que David e Julia vão se casar, e é nesse momento que seu ciúmes vira patológico. Quando Julia percebe os jogos feitos por Tessa, ela precisa se deparar com fantasmas do passado e lutar pela sua família.

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Embora a trama não seja muito original, haveria espaço para criar um filme de suspense interessante. O problema é que nada realmente contribui para que o longa seja satisfatório: a direção, a fotografia, o roteiro e o elenco possuem defeitos que fazem com que o resultado final fique angustiante (no mal sentido) de ser assistido com um final, no mínimo, risível. A trama é previsível, as ações das personagens são forçadas, as cenas tentando demonstrar o desequilíbrio emocional de Tessa são muito longas e desnecessárias e seu grande plano é falho. Ele só funciona na telona porque as ações da polícia são tão falhas quanto e não condizentes com o que realmente teria sido feito na investigação. Essa seria uma ótima oportunidade para Heigl mostrar um lado diferente e sombrio ao invés daquele visto em suas comédias românticas; e de Dawson, que está arrasando nas séries da Marvel na Netflix, ser uma personagem forte mais ativa e presente. Oportunidade desperdiçada.

Paixão Obsessiva é resultado de uma ideia mediana que ficou bastante ruim. O nome original do filme é Inesquecível (Unforgettable), mas, devido a um erro após o outro, ele acaba sendo completamente esquecível. O longa merece ZERO cookies.