[Crítica] Vida

A franquia de Alien foi revolucionária no gênero de “horror no espaço” – a história do ser galáctico que vai se desenvolvendo e matando um a um os tripulantes da nave se tornou ilustre. A tentativa de trazer a claustrofobia de estar preso dentro de uma lata de metal e o desespero da fuga dos tripulantes contra uma ameaça imprevisível, poderosa e mortal foi falha em Prometheus (2012), o que deixou os fãs da saga ansiosos pela volta às origens com o futuro Alien: Covenant. No entanto, faltando poucas semanas para o lançamento desse novo filme, Vida chega sem muito aviso e dá uma rasteira na franquia, entregando um longa com tudo aquilo que se espera de um horror espacial.

Os seis tripulantes da Estação Espacial Internacional (Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare e Olga Dihovichnaya) possuem uma missão: receber uma amostra do solo de Marte e pesquisar se há evidências de vida extraterrestre. Um organismo é encontrado em estado de hibernação e, com os estímulos certos, os pesquisadores permitem que ele se desenvolva. Com a esperança do organismo ser a resposta para muitas dúvidas biológicas e existenciais, ele recebe o nome de Calvin. Mas, como se pode esperar, Calvin cresce rápido demais e revela ser uma forma de vida não muito amigável. Quando ele foge da quarentena do laboratório, os tripulantes devem fazer de tudo para evitar que a criatura chegue até a Terra.

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Vida não é um filme fenomenal da ficção científica como A Chegada ou Interestelar, mas não é esse seu propósito. Ele promete entregar 103 minutos de tensão, angustia e suspense sem que o público tire os olhos da tela do cinema, e é isso que ele faz. Um diferencial que o filme tem é a beleza visual de suas cenas. Mesmo seguindo o padrão narrativo do gênero, ele se distancia da estética obscura de outras obras e abraça as cores do ambiente que contrastam muito bem do translúcido de Calvin até o vermelho do sangue. Como o filme todo se passa dentro da estação espacial com gravidade zero, as montagens feitas com os líquidos que se tornam bolhas flutuantes e corpos inertes que permanecem no centro da cena ficam muito belas. A gravidade zero também permite explorar diferentes ângulos de câmera, fazendo com que a experiência cinematográfica fique mais rica.

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O legal da ficção científica é que ela sempre nos permite fazer uma análise sobre a nossa sociedade, mesmo que brevemente. Foi muito interessante a escolha do título, que segue coerente com o original Life, e que nos faz refletir sobre os diferentes tipos de vida, a falta e desrespeito a ela e o que podem ser suas consequências. Ao colocar um nome “humano” na criatura e chamá-la o tempo todo por este nome, é criado um aspecto mais pessoal e emocional entre vida alienígena e terrestre, deixando a reflexão acerca da vida ainda mais densa.

Se você gosta desse estilo de filme e quer deixar o coração mais acelerado no cinema, pode ir com fé assistir que a trama não vai desapontar. O filme merece 4 cookies.

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