Crítica: Meus 15 anos – O Filme

Meus 15 anos – O Filme é inspirado no livro infanto-juvenil, lançado pela editora Rocco da autora carioca, e formada em cinema Luiza Trigo. A história é focada na protagonista Bia, uma garota tímida e sua festa de aniversário de 15 anos. Antes de virar filme (e antes mesmo do livro ser lançado) a autora lançou um teaser chamado As Valentinas  onde somos apresentados aos personagens principais que são muito presentes no livro mas nem todos no filme. O teaser está disponível gratuitamente a partir do site oficial da Luiza Trigo para várias plataformas de leitura digital.

Os livros de Luiza, ou como carinhosamente é chamada Luly (além de termos a coincidência do nome, por muitos anos meu apelido também foi “Luli” até virar “Lulu”) são leves doces e fluídos, mas sempre há assuntos importantes sendo relatados e com mensagens importantes em cada uma das suas obras; como bullying, auto aceitação e relacionamentos. São livros divertidos que apesar de serem voltados ao público infanto juvenil, entretêm todas as idades. Meus 15 anos em especial é um livro que a minha irmã mais nova gostou muito e leu na velocidade da luz quando foi lançado, devido a esta lembrança resolvi fazer alguns paralelos comparando Livro x Filme.

Tanto no livro quanto no filme acompanhamos a rotina clássica da adolescência de muitas pessoas, envolvendo além da vida da protagonista Bia, seu melhor amigo Bruno e colegas, o menino mais bonito (Thiago) e a menina mais chata do colégio (Jéssica). Porém no livro Bia possuí um ciclo de melhores amigas além de Bruno e sua rivalidade com Jéssica é mais intensa. No filme Jéssica é até considerada uma “amiga”, entre aspas porque um presente nas duas mídias é que alunos metidos e populares normalmente são um tanto cretinos com os mais reservados e estudiosos. Paixões platônicas, sonhos e o desafio de “sobreviver a pré-adolescência” também estão muito presentes no contexto de não ser popular de Bia. No livro a protagonista sonha em ter uma festa de 15 anos que irá ganhar dos pais devido ao seu excelente desempenho escolar, e a mesma tem um tema muito especifico pensado desde o inicio da trama mantida em segredo com apenas pequenas dicas reveladas no design do convite,  para ser uma grande surpresa.

Já no filme ela não queria uma festa e ganha através de um sorteio do shopping incentivado (e contra a sua vontade) por seu pai (no filme a protagonista perdeu a mãe quando pequena).

“Tem sempre um monte de gente dizendo coisas que você precisa fazer. Só que ninguém pergunta se a gente quer fazer. Eu não queria uma festa de 15 anos” – São as primeiras palavras do filme.

Em ambos a personagem, assim como nós do Serial Cookies, é fã de música, mas no filme ficou de fora o apreço de Bia por filmes, livros e games, seu lado “geek“. E como a maioria dos jovens “nerds” da idade dela se sente um tando deslocada, “invisível”, porém começa a chamar a atenção no colégio quando ganha o (tão almejado pela “amiga” Jéssica) sorteio do pacote “Festa de 15 anos com show da Anitta”. No livro a atenção inicia-se na entrega dos convites (pretos com estrelas douradas remetendo ao tema na festa no livro, rosa, dourado e branco no filme) para a noite de debutante. No livro a festa ocorre em um dos lugares mais requintados do Rio de Janeiros: Copacabana Palace, no filme o local não deixa a desejar, decoração, figurinos, até nos detalhes da mesa de docinhos, e nas duas mídias causam inveja em Jéssica.

A essência dos personagens é a mesma do livro porém muitas características e acontecimentos sofreram adaptações, especialmente em Jéssica que apesar se chata está menos insuportável e na protagonista Bia, que é interpretada pela queridinha do público jovem brasileira, a cantora e atriz de apenas 16 anos Larissa Manoela pois o filme foi praticamente adaptado para ser estrelado por ela, havendo inclusive referências a trabalhos anteriores em momentos de alívio cômico, que por sinal estão muito bem inseridos e causam algumas boas risadas.


No filme a música é muito presente, várias cenas firmam a conexão como o personagem Bruno, interpretado pelo ator mirim Daniel Botelho, e com o pai Edu interpretado por Rafael Infante o qual criou um pai muito sensacional que todos gostariam de ter, além presença da cantora Anitta.

Anitta & Bia – Thiago, Bruno e Bia

A obra têm como atrativo os pré-adolescente, tanto pelo elenco quanto pelo tema. Não se trata de uma gigantesca produção com efeitos especiais e orçamentos exorbitantes; porém o maior ponto que o filme leva é o fato de ter como inspiração o livro de uma autora jovem e brasileira, pois ter uma produção cinematográfica inspirada em sua obra é uma grande realização profissional para escritores do nosso país, especialmente na concorrida literatura infanto-juvenil. Ver sua obra adaptada para as telonas com certeza é um grande prestígio, Luly inclusive faz uma pontinha no filme como recepcionista da tão aguardada festa.

A história tem alguns clichês e como já mencionado é claramente voltada ao público da faixa etária do filme; o mundo conectado das mensagens de textos, vídeo-lives e seguidores também estão presente, além da participação dos Youtubers Victor Meyniel e Pyong Lee no elenco.

No livro, por mais que o tema principal seja o mesmo, as referências colocadas por Luly faz que os não tão jovens sintam-se mais envolvidos com as personagens e até sonhem em ter vivido os 15 anos descritos por ela. E em questão de diagramação e construção, que não podemos deixar de mencionar, a obra é uma fofura; cada capítulo leva o nome de um filme e é contado na visão de cada personagem ilustrado de forma bela e delicada por Irena Freitas, além do tema da festa inspirado em Hollywood ganha muitos pontos que o filme infelizmente não contém.

Bruno & Bia – Bastidores com Luly Trigo

Meus 15 Anos já tem duas continuações em livro publicadas que focam nas amigas de Bia, que não estão presentes no filme, as  personagens Carol e Amanda, e se chamam respectivamente Na Porta ao Lado & Uma Canção para você. 

O filme não tem previsão de continuação até o momento. A direção é por conta de Caroline Fioratti, estreando no universo cinematográfico cujos trabalhos anteriores foram com séries e curtas. A mensagem mais bonita que a trama traz é que ninguém precisa mudar para agradar o outros, todos podemos ser exatamente como somos, e quem realmente se importa conosco sempre estará ao nosso lado. É um filme com muitas lições positivas para todos os pré adolescentes, especialmente os mais tímidos, e também por que não, para aqueles que se consideram donos do mundo e não se importam com os outros? Boas mensagens podem fazer boas mudanças!


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