[Crítica] Transformers: O Último Cavaleiro

Para muitos, Transformers apresentou um mundo curioso em seu primeiro filme, o qual foi virando cada vez mais um amontoado de explosões, robôs everywhere, diálogos bobos e interesses desnecessários da câmera pelo corpo de personagens femininas. Com a estreia do quinto filme da franquia, olhos destreinados podem achar que a história traz mais do mesmo. No entanto, para aqueles que acompanham os autobots e decepticons há mais tempo, a trama pode ter se reerguido ao entregar menções nostálgicas, enredos clássicos e alguns easter eggs. Para falar sobre a nova produção de Michael Bay com essa perspectiva, convidamos um grande amigo para dar sua opinião: Ricardo Becker. Segue na íntegra seu texto:

Em Transformers: O Último Cavaleiro, acompanhamos a missão de Cade Yaeger (Mark Wahlberg), amigo dos (robôs do bem) autobots, que ao receber um artefato de um robô alienígena moribundo se tornou alvo tantos dos (robôs do mal) decepticons como da nova força tarefa anti-alien que deseja o planeta livre dos invasores cada vez mais frequentes. Com posse do artefato, nosso herói junta-se a Vivian Wembley (Laura Haddock) também recém-recrutada para proteger um antigo tesouro da época do Rei Arthur e são guiados por Sir Edmund Burton (Antony Hopkins), que expõe a história secreta que sua irmandade preserva. Juntos aos aliados robóticos que se transformam em carros, os heróis correm contra o tempo visto a iminente chegada de uma nova ameaça para o planeta!

Como se pôde notar, a história mais uma vez é focada nos personagens humanos com os robôs de Computação Gráfica como aliados/inimigos/razão de toda confusão. E se temos dúzias de robôs aparecendo a toda hora, o mesmo acontece com o elenco humano – muitos aparecendo por poucos instantes e esquecidos assim que perdem sua utilidade para o enredo. Essa característica já tinha aparecido no primeiro filme e ela volta para dar as caras com participações pequenas ou simplesmente tendo nomes mencionados – alguns até em pura forma de easter egg.

Claro, estamos falando de Michael Bay, conhecido pelos seus frequentes excessos: Vai rolar sim pôr de sol inspirador, vai ter cena de soldados em guerra, vai ter explosão. Também vai ter atriz mostrando mais o corpo que o talento e diálogos abobalhados. Piadinha machista também. Personagens rasos e clichês então, tem sobrando. Pelo menos, o filme tem ciência dos seus defeitos e até ri de si mesmo apontando alguns deles. Mas também tem uma bela fotografia e cenários grandiosos, sejam dentro de um castelo, nas ruas de Londres, no fundo do mar ou em naves espaciais. A ação acontece a todo instante, com tiroteios, lutas de espada, perseguições de carro. Os momentos edificantes também estão presentes, assim como Optimus Prime com seus discursos de como a vida/humanidade/amizade é preciosa.

E é aqui que está o ponto forte do filme. Caso alguém não tenha conhecimento, Transformers é uma linha de robôs com mais de trinta nos no mercado, que se reinventa de tempos em tempos a fim de continuar relevante e conta com mídias como histórias em quadrinhos e animações para fazer propaganda de seus produtos. Tudo isso produziu um grande multiverso, com vários universos diferenciados – alguns muito famosos enquanto outros obscuros. O Ultimo Cavaleiro presta homenagem a esse universo com varias referencias: Heróis e vilões que fizeram parte da infância de muitos voltam para a tela grande ou aparecem pela primeira vez, enquanto raças e facções mais obscuras dos robôs têm suas representações atualizadas. Até a mais nova linha de brinquedos são mencionadas durante o filme – com o nome que era usado nos similares dos anos 90.

Deste ponto de vista, o filme parece ter sido feito para os fãs de Transformers, seja do brinquedo japonês, da série animada da virada do milênio ou do longa animado Transformers: O Filme (1986). Isso tudo é respeito, não só para quem tem acompanhado as aventuras dos robôs há décadas, mas ao legado da franquia e para com o material original em que é baseado.

Por fim, cabe ao espectador a boa vontade de olhar além de uma cortina de explosões e preconceitos para ver, a exemplo do que as embalagens dos brinquedos e abertura dos desenhos dos anos 80 já nos ensinavam: Mais Do Que Os Olhos Podem Ver.