Crítica: Mãe!

Mãe! é o novo filme de Darren Aronofsky, diretor indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro por “Cisne Negro”, estrelado por Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer. A trama conta a história do casal formado por Lawrence e Bardem: ela é a esposa dedicada que se doa para o relacionamento e investe todo o empenho possível para tornar a casa um paraíso para seu marido. Ela é musa inspiradora e vulnerável, mas mostra seu outro lado quando as consequências da visita de um estranho começam a se desenrolar.

Você senta na poltrona do cinema com algumas ideias, algumas expectativas, mas sem saber exatamente o que está prestes a vivenciar. O elenco é bom, o diretor/roteirista é meio louco (mas a gente gosta disso) e o trailer foi interessante, então vamos ver no que dá. E aí você é sugado para a trama sem mesmo perceber. Você está ali junto com a personagem – anda com ela, escuta com ela, vê com ela, sente com ela. Tudo parecia bem, mas aquela noite muda tudo; as coisa vão ficando cada vez mais estranhas e, assim como ela, você também não faz ideia do que diabos está acontecendo! A confusão é enorme! Tudo sai do controle! E o barulho, meu deus o barulho e a destruição! Eu só quero que vocês saiam daqui!


Destituído de trilha sonora, apenas com efeitos sonoros, o filme promove uma imersão total aos olhos da protagonista, fazendo-nos sentir sua agonia e aflição. O estilo de filmagem segue sua perspectiva por três ângulos: de sua personagem, sobre seu ombro ou substituindo seu olhar.

A fotografia é baseada na palheta de cores frias, predominantemente a acinzentada, que passa a sensação de angustia e sofrimento, seguindo aos tons escuros à medida que o filme progride. Isso difere dos pôsters principais do filme, assinados pelo artista James Jean (das HQs Fables e The Umbrella Academy), que passam imagens belas coloridas e perturbadoras e que, metaforicamente, passa a ideia principal da trama; mas é apenas compreendido após assisti-lo. Aronofsky fez mistério sobre o simbolismo de elementos do filme, mas nada é aleatório: desde o enquadramento à escolha dos objetos e palavras.



O filme acaba e você fica sentado até o fim dos créditos. Não porque está particularmente interessado naquelas informações, mas porque vcê simplesmente não consegue levantar ainda da poltrona. Você levou um tapa na cara, um soco no estômago, foi atropelado por um trem. “O que foi isso que eu acabei de assistir?! O que esse doido tá tentando dizer pra mim?!”. As luzes acendem, você sai do cinema com as pernas cambaleando. Anda um pouco, troca poucas palavras com seus amigos/familiares, vai ao banheiro. Aí começa a vir. Aí começa a fazer sentido. Você entende uma metáfora, depois entende a outra e a outra. Vai conversando e tudo começa a se encaixar. O cara não deixou nada solto, e absolutamente tudo tem um sentido naquela narrativa e naquela metáfora. Aquele sentimento fica com você. Aquilo te persegue o resto do dia, quem sabe até de noite e no dia seguinte. Essa é a experiência de testemunhar Mãe!

Mãe! é pesado, denso, perturbador e trata de assuntos muito relevantes de forma subjetiva e que mexe com o psicológico. A obra não pode ser julgada pelo trailer, que passa a sensação de um terror/suspense, mas que vai muito além. Recomendamos a apreciação do filme com a mente aberta a fazer associações aos diversos problemas impetulantes da humanidade. Segundo palavras da própria Lawrence: “Existe um milhão de facetas diferentes neste filme com as quais algumas pessoas vão se identificar, ficar assustadas ou intrigadas”.

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