Crítica: Liga da Justiça

[Atenção contém Spoilers]

Após os acontecimentos de Batman vs Superman (confiram nossa crítica nesse link) e de sermos apresentados a origem da amazonas Diana Prince (confiram post sobre Mulher Maravilha nesse link), chegamos a um dos filmes mais esperados do universo DC Comis: Liga da Justiça.

O filme começa com o mundo ainda em luto pela morte do Superman ao final de Batman vs Superman, mostrando diversas cenas em sua homenagem misturadas com o caos de sua ausência, como a estátua quebrada do herói em seu próprio memorial, pessoas simples em desamparo e desacreditadas do futuro, e o aumento da criminalidade. Bruce Wayne, que está em busca de aliados meta-humanos e sob o manto do morcego procura respostas referentes a misteriosas criaturas aladas que se alimentam do medo e que aos poucos estão invadindo a cidade: os Parademônios.

Os Parademônios são criaturas geneticamente criadas no planeta alienígena Apokolips, e que fazem parte do exército do líder deste planeta, o vilão dos quadrinhos Darkseid. Algumas criaturas são criadas a partir de humanos capturados, vivos ou mortos, outras dos próprios Parademônios. Costumam aparecer quando um planeta começa a ser invadido, como foi o caso da Terra em Liga da Justiça após a morte do Superman.

O vilão principal do filme é o Lobo da Estepe, senhor da guerra alienígena e braço direito de Darkseid. Após se libertar de um longo exílio ele aparece na ilha das Amazonas, Temyscira, por meio do portal Tubo de Explosão (“Boom Tube” expressão que traduz a fictícia ponte extra-dimensional ponto-a-ponto Einstein-Rosen, uma forma de teletransporte, aberta por uma Caixa Materna usado principalmente pelos moradores de Nova Gênese e Apokolips na DC Comics). O Lobo da Estepe está em busca das 3 caixas Maternas, estas que são artefatos mágicos que combinadas geram poder, caos e um habitat apocalíptico. O personagem foi pouco desenvolvido no filme e foi previamente visto por quem conferiu as cenas deletadas de BvsS quando Lex Luthor observa uma criatura segurando três caixas em um holograma. As três caixas que viriam a ser as caixas Maternas. Confiram a cena clicando nesse link).

Ciarán Hinds, que interpreta a voz do Lobo da Estepe está pouco reconhecível uma vez que o personagem leva uma quantidade absurda de CG. O ator interpretou Mance Rayder em Game of Thrones; Aberforth Dumbledore em Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2; e participou de Excalibur em 1981, que coincidentemente – ou não, pois muitas referências e homenagens estão sempre presentes em grandes produções –  aparece sendo anunciado no cinema de Gotham City em Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Vale comentar também que o Lobo da Estepe nos quadrinhos foi desenhado por Jack Kirby, o mesmo desenhista (arte finalista, roteirista, editor) que participou da criação de diversos personagens da Marvel como Quarteto Fantástico, Thor, Hulk, Iron Man, Doctor Doom, Magneto, dentre muuuuuitos outros.


Quem já conhecia as Caixas Maternas dos gibis já sabe que elas podem ser utilizadas para inúmeros fins, ainda que a criação dos Tubos de Explosão sejam o mais comum. Por exemplo, já ocorreu uma Revanche contra o vilão Apocalipse (visto em Batman vs Superman) onde o Superman teve que se fundir com uma das caixas maternas para poder vencê-lo. Provavelmente não veremos esta luta nos cinemas, mas é claro que os roteiristas aproveitaram a versatilidade do artefato em seu roteiro.

A DC aparentemente não escondeu o fato de que o Superman iria ressuscitar durante o filme. Estava implícito no trailer, fotos de bastidores da produção, notícias envolvendo o ator. Porém, quando finalmente Superman aparece temos uma real surpresa: sua personalidade, diferente dos filmes anteriores em que o herói aparentava uma crise de identidade, agora volta rejuvenescida, de alma lavada, refletindo na tela o personagem que conhecemos dos quadrinhos.

Um interessante Easter Egg está presente em uma cena em que o jornal fictício Metropolis Post (imprensa rival do Planeta Diário) em sua matéria de capa compara a ausência do Superman com o recente falecimento dos maravilhosos David Bowie e Prince. (Confiram homenagem ao Bowie neste link).

Inclusive, em um dos trailers divulgados, a música Heroes de David Bowie estava presente. Uma sábia escolha que combinou com a obra, uma vez que a música traduz parte do conflito dos personagens que estão vivendo com o peso de serem “heróis por um dia”. Abaixo seguem dois trechos da música, seguidos de suas traduções:

“We can beat them, just for one day
We can be heroes, just for one day”
“Nós podemos vencê-los, apenas por um dia
Oh, nós podemos ser heróis, apenas por um dia”
“Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, forever and ever
Oh, we can be heroes, just for one day”
“Embora nada, nada vá nos manter juntos
Nós podemos vencê-los, para todo o sempre
Oh, nós podemos ser heróis, apenas por um dia”

E ainda em se tratando de música temos também na trilha sonora (filme e trailers) a música Come Together dos Beatles, também traduzindo um pouco da união dos personagens. Vejamos novamente os trechos e suas traduções:

“He roller coaster, he got
Early warning, he got
Muddy water, he one
Mojo filter, he say
One and one and one is three
Got to be good looking, ‘cause he’s so hard to see”
“Ele vai na montanha-russa
Ele recebe o aviso prévio
Ele tem água barrenta
Ele é um filtro de feitiço
Ele diz um e um e um é três
Tem que ser de boa aparência porque ele é tão difícil de ver”
“Come together, right now
Over me”
“Venha cá, agora mesmo
Junto a mim”

Também é curioso notar que durante as lutas há referências aos temas músicas clássicos do Batman de 1989 (ouça aqui) e do Supeman de 1978 (ouça aqui).

Há também uma leve referência a outra obra de Zack Snyder: Watchmen, quando Batman usa um visor vermelho super semelhante ao do personagem Homem Coruja.

Em questão de roteiro e andamento da história o filme perde um certo tempo abordando conflitos e origens dos personagens. O que não é um ponto negativo, mas teria sido mais interessante se isto tivesse ocorrido em filmes prévios solos como ocorreu com Superman e Mulher Maravilha, e também como a Marvel costuma fazer. Assim sobraria mais tempo para lutas e referências dos gibis. Vale lembrar que esta quebra pode ser resultado do fato da obra ter sido iniciada por um diretor (Zack Snyder) e finalizada por outro (Joss Whedon), eis que Snyder teve que deixar a produção por motivos pessoais.


As cenas extras ao final dos créditos referenciam uma tradicional passagem dos quadrinhos em que Flash e Superman apostam corrida para saber quem é o mais rápido (claro que o Superman sempre ganha, afinal, ele ainda voa!) e uma prévia do que podemos esperar na continuação desde universo estendido onde temos Lex Luthor (que já fugiu da prisão no Asilo Arkham) conversando com o vilão Exterminador sobre formarem sua própria liga.

Liga da Justiça tem em seu elenco Ben Affleck como Batman, Gal Gadot como Mulher Maravilha, Jason Momoa como Aquaman, Ray Fisher como Ciborgue, Ezra Miller como Flash, Jeremy Irons como Alfred, Amy Adans como Lois Lane e Henry Cavil como Superman.

O filme já arrecadou mais 13 milhões de reais em sua estréia no Brasil, ultrapassando Capitão América – Guerra Civil (confiram post nesse link).

Apesar de ser um filme que reúne a maior quantidade heróis da DC em uma única obra cinematográfica ele é o mais curto em duração (121 min) comparado com Batman vs Superman (153 min e 183 min na versão estendida que amamos), Homem de Aço (143 min), Mulher Maravilha (141 min) e até mesmo Esquadrão Suicida (123 min). É um filme bacana, especialmente para quem quer ver seus personagens favoritos dos quadrinhos nas telonas. Não tão grandioso quanto Mulher Maravilha (que teve direito a cookie de ouro pela nossa equipe) e não tão obscuro e denso como Batman vs Superman, pois há várias cenas com alívio cômico por conta do Flash que merece destaque, assim como Aquaman, que está com seu filme solo previsto para 2018.

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